quarta-feira, novembro 07, 2007

Abundantia cordis...

Fico sedento... Quando a vislumbro por entre a multidão... Quando entre o supérfluo estou só eu e ela... A colisão de emoções é de tal forma violenta que não a espelho... A sinestesia desses fugazes "Olá tudo bem?" agora implode quando antes explodia e só quem fosse cego não via que eu estava derrotado... Fico sedento... A minha "máscara" protege-me do supérfluo mas não do que importa... Tento repetidamente meter na cabeça que não vai acontecer mas não é na cabeça que ela mora... Vil e torpe supérfluo que se interpõe... Fico sedento... Nada me sacia... Estou prisioneiro de um querer bem em não querer... Agarrado ao dia-a-dia apenas atraso a inevitável e redundante conclusão... Fico sedento... Não alcanço quem também não me quer alcançar... Não há controlo neste constante almejar... Fico sedento pois a sede só ela a pode matar...

sexta-feira, outubro 19, 2007

Morfina...

Dedos por entre espuma
Lábios que vacilam
Horas que se perfilam
Prazer que se esfuma

Só quero poder dormir
Pois mora nos meus sonhos
Os dias são tristonhos
Sem a poder sentir

O meu sorriso cai
Pois o dia amanhece
Termina o frenesim

Furor que se esvai
Que logo desaparece
Mas que volta para mim

terça-feira, outubro 09, 2007

Murmúrio...

Mais uma vez dou comigo à deriva nos meus pensamentos... Sinto uma nostalgia que me consome a cada dia que passa... Uma sensação de inutilidade obviamente vã mas que no entanto me incomoda bastante... 24 anos!! Foda-se!! Já passou uma eternidade... Tantos momentos espectaculares e alguns dissabores que só reforçam os bons momentos... Tantas estórias para contar... Mas ainda não acabou, haverão mais anos repletos de estórias pra construir e viver... Mais efemeridades eternas... Um "Encosta-te a mim" pra viver, pra dizer, pra sentir e partilhar com alguém tão intensamente como o canta o Jorge Palma mas não quero, agora não, também não quero por imposição, também não quero à força, quero porque mereço vivê-lo um dia e quero que surja quando menos esperar e quero que pulverize essa, por ora, vã sensação. Agora só quero ser EU!! EU!! Dedicarmos as noites a alguém, pensando sem parar nos "ses", é destrutivo e retira bastante de nós, endurece-nos e mata-nos quando não serve o seu propósito. Desfalecido só posso querer ser EU!! E quando o for novamente a bujarrona levantar-se-á e velejarei rumo a bom porto por uma rota incerta mas segura, repleta de vivências e rica em sabedoria... "Pequeno marinheiro à liça!! Levantou vento!! Partimos rumo ao futuro!!"

terça-feira, junho 19, 2007

Medo de cada um...

Estar tentado
E viver amargurado
Tudo parece um achado
E certezas não as há

Nada ajuda
E não tenho quem me acuda
Só o medo me saúda
E coragem ninguém dá

No meu medo
Este segredo
Receio forte
Tão forte que me corrói
Pois tentando
Seja qual for a sorte
Meu coração palpitando
Que não sei se me destrói

Bom seria
Poder um dia
Perder o medo
O medo que me detém
Mas a esperança
Venha ela tarde ou cedo
Por certo traz a bonança
E eu irei mais além

sexta-feira, junho 08, 2007

Audiovisualidades II...

Mas não foi somente a audição a ser vitimada pelos avanços científicos nas tecnologias audiovisuais, a visão foi-nos constantemente debilitada ao longo do séc. XX, primeiro pelo uso da televisão, "a caixinha que mudou o mundo", ora não podia esta frase estar mais correcta se pensarmos no que nos sucedeu após a sua invenção, deixaram de haver barreiras espacio-temporais, o que acontece do outro lado do mundo é do nosso conhecimento apenas segundos após a ocorrência, torna-se portanto irrisório procurar outras fontes de informação, pelo que nos deixamos dominar por esse instrumento que foi criado para nos servir, a teledependência é uma doença de que quase todos nós sofremos, muitos de nós somos bem capazes de chegar a casa com fome, mas antes de comermos ligamos o televisor. Perdeu-se o hábito de conversar às refeições, as famílias passam as refeições "vidradas na televisão, deixa de haver comunicação em casa, há a revolta por parte dos jovens que não se sentem acarinhados pelos pais, tudo isto porque temos em casa algo que domina a nossa percepção visual, a televisão. Criaram-se até novos conceitos tendo em conta o uso da televisão, sendo que o mais famoso é o zapping, estar constantemente a mudar de canal sem que qualquer tipo de informação seja assimilada, é como estar a vêr sem vêr, a televisão tornou-se num vício. Para além disso temos tendência a vêr o que assistimos na televisão como algo sagrado, a nossa visão é corrompida pela televisão, tomamos as personagens de ficção como modelos de vida, a ficção mistura-se com a nossa vida até porque nos encontramos tão abstraídos do mundo real tal é a atracção sentida pelos media, veja-se as crianças que se mataram por pensarem que conseguiam voar como o super-homem.
Ainda temops a violência dos temas apresentados pelos media (acidentes, mortes, violência familiar, etc.) facilmente identificável, podemos tentar erradicar isso se quisermos; poderíamos inclusive rejeitá-la se essa virtualização dos receptores praticada pela linguagem não nos tivesse definitivamente implantado uma estética da violência muito mais cruel e sub-reptícia, muito mais perigosa porque apresentada como "as maravilhas do virtual" e não como violência ao corpo. Sabemos ainda que essa "violência ao corpo, ao sensível" não é um fenómeno exclusivo dos meios de comunicação, ele encontra-se na base das sociedades modernas, é um dos grandes paradigmas da modernidade que a contemporaneidade vem revendo. Sobre esse fenómeno vários autores dedicam uma longa reflexão chamando a atenção especialmente para o modo como a própria produção de conhecimento do século se deixou levar por essa direcção. Com ele, podemos pensar no papel dos media numa época em que até mesmo o pensamento exerce a sua violência contra o sensível.
Depois apareceu o Computador e, na década de 90, a Internet. A Internet veio permitir a quebra total das barreiras espacio-temporais, graças a esta invenção é hoje possível comunicar em tempo real com alguém do outro lado do Mundo, podemos vêr como são as culturas de todo o Mundo, os seus costumes, sem termos que sair do conforto do nosso lar. É aqui que reside o grande problema, as pessoas hoje em dia renegam a si próprias o prazer de experenciar, vivenciar o Mundo. Deixámos de estar limitados espacio-temporalmente, mas ao mesmo tempo limitamo-nos a estar sentados em casa e a deixar de saber o que é a vida como sempre foi, recheada de experiências físicas, de diversão, tristeza, violência, paz, enfim todos os sentimentos que nos tornam humanos. É-me profundamente repugnante a ideia de que daqui a uns anos, os seres humanos poderão passar a ser criaturas grotescamente obesas, que assim ficam por passarem a vida sentados em frente a um computador, que não conhecem sentimentos, seres puramente racionais, despojados de humanidade. É um esterótipo que pensava não passar de mais um chavão em jeito de piada, mais um exagero do cinema, mas que a cada dia que passa me parece ser o final mais provável.
Perderam-se os horizontes, o Homem deixou de sonhar, tudo o que experenciamos hoje em dia é uma reposição do que já se sabe, é um "upgrade audiovisual", um embelezar do "já visto", o Mundo começa a tornar-se repetitivo e as descobertas tendem a cessar. Todas as manifestações que estimulam os sentidos da visão e da audição começam a perder a originalidade que durante séculos despertou estupefacção e admiração pela capacidade criativa do Homem. Inicia-se uma fase em que é consideravelmente desinteressante viver neste Mundo dominado pelos multimédia, este sentimento de desinteresse é por muitos sentido como causa dessa evolução que trouxe a perigosidade ao que intencionalmente era para servir o Homem.
...
Face a toda esta problemática adventícia do uso de novas tecnologias, a toda esta panóplia de avanços tecnológicos cujas implicações têm um potencial catastrófico para a civilização, resta-nos apenas esperar que o Homem consiga recuperar e restituir a si próprio esse equilíbrio sensorial pelo qual ansiava, mas cujo desenvolvimento se tornou rapidamente independente e acabou por nos tornar reféns da nossa própria evolução. Que o Homem não perca a noção de realidade, que não se deixe manipular pelo comodismo fornecido pelas novas tecnologias, que volte a sonhar, que volte a criar, que volte a ser o Homem senhor do Universo e não passe a ser um "zombie", um joguete nas mãos das suas mais sublimes e impressionantes criações. Que o Homem volte a vêr e a ouvir.
Fim

quinta-feira, março 01, 2007

Audiovisualidades...

A vista e o ouvido são os principais sentidos da comunicação, tal como o gesto e a palavra constituem os seus principais modos. A harmonia é grande entre estes dois sentidos, que permitem perceber o seu meio na sua dimensão real de espaço-tempo. O barulho não se dissocia do acontecimento, o trovão completa o relâmpago, a agitação revela a queda. Tudo o que é visível é percepcionado no espaço, tudo o que é acústico é percepcionado no tempo. Por conseguinte, o meio ambiente é principalmente audiovisual e espacio-temporal, visto que ele transmite, sem parar, informações perceptíveis simultaneamente pelos olhos e pelos ouvidos.
Os estudos comportamentais, herdeiros do behaviourismo, destacam-se quanto à aplicação das suas metodologias de investigação em campo. Eles tentam compreender as inter-relações do Homem com os ambientes e as paisagens, admitindo que também esses ambientes e paisagens podem influenciar comportamentos específicos, individuais e de grupo, inconscientes ou conscientes. É este tipo de influência que sofremos a nível comportamental ao longo do séc. XX, e agora no séc. XXI, através da relação que a audição e a visão têm vindo a consumar com as tecnologias, que pretendo deixar patente.
...
A acreditarmos numa perspectiva teleológica da história, o séc. XX é o século em que o Homem cumpre o seu destino enquanto senhor do Universo. Todo o percurso da hominização é uma tentativa de superação das deficiências com que a natureza dotou o Homem. A criação de instrumentos cada vez mais sofisticados é uma constante desse percurso evolutivo, porém o nosso tempo tornou-se, com a ajuda da tecnologia, pródigo na distribuição e generalização de cárceres sonoros. Por todo lado nos tornamos cativos do poder súbtil da música, são cada vez mais raras as pausas de silêncio, a escuta da harmonia celeste que mal se ouve, tão coberta que está de outras músicas, de camadas de ruído. Vários autores de entre os quais se destaca Pascal Quignard discorrem longamente sobre o "assédio musical" que caracteriza o nosso tempo, concluindo que "(...) em consequência da tecnologia de reprodução das melos, amar ou odiar a música reenviam pela primeira vez à violência própria, originária, que funda o domínio sonoro." A fuga à violência adquire, neste contexto, a forma de uma procura de silêncio, a forma de um cansaço, a fadiga do violado, do acossado que não tem para onde fugir. a dificuldade em escutar o silêncio parece agudizar-se, a audição do inaudível parece cada vez mais difícil. A abertura total das "orelhas sem pálpebras", a obediência máxima de uma "infinita passividade" surge, uma vez mais de modo paradoxal, como a única forma de resistência: uma resistência em forma de abandono. Ouvir tudo, ouvir absolutamente, acolher todas as cmadas sonoras que se vazam nos ouvidos abertos, acolhê-las penetrando no som, impregnando-nos de som, até ao máximo da audibilidade, que é a ultrapassagem dos limites do audível, atingir o ilimitado, dar conta da continuidade, ouvir o inaudível, escutando o silêncio que se tornou na vertigem moderna.
"Quando a música era rara, a sua convocação era perturbante e a sua sedução vertiginosa. quando a convocação é incessante, a música torna-se repelente e é o silêncio quem chama e se torna solene." - Varèse
Os media são os suportes materiais que tornam possível a comunicação. O suporte mais fundamental, o único que existiu na origem, é o próprio Homem. O Homem que gesticula e que fala é o primeiro médium audiovisual. Os media são os intermediários físicos que permitem a comunicação à distância, quer seja à distância no espaço, quer seja à distância no tempo.
É nessa medida que o séc. XX se torna tão importante. Este séc. deu ao Homem velocidade, força e asas, amplificou-lhe a visão, a audição e a voz. Combateu dois grandes inimigos: o tempo e o espaço. Mas será que esse upgrade que foi feito, durante todo o séc. XX e até aos nossos dias, foi realmente tão benéfico como aparenta? Será que as tecnologias não prejudicaram a nossa noção de realidade audivelmente e visualmente?
Veja-se o que referi acima, o constante bombardear auditivo do qual somos reféns e do qual não podemos fugir, para o qual caminhámos neste século mas agora perante o qual fugimos. Hoje em dia, o aumento considerável da compra de propriedades no campo é reflexo dessa fuga, as pessoas procuram afastar-se da confusão das grandes cidades, dos ruídos dos automóveis, das discotecas, etc. Assistimos portanto a um êxodo urbano. Está aqui patente um paradoxo existencial, procurámos durante séculos através da criatividade encontrar formas de usar o som a nosso bel-prazer, para nosso entretenimento e, hoje em dia, não só o ruído mas também esse som lúdico nos é prejudicial. Tenha-se em conta as novas tecnologias ligadas ao som: os leitores portáteis de CD, K7's, mp3; os mini-rádios; os sistemas de som para automóveis (muito utilizados pelos aficionados do tunning); os sistemas sonoros das discotecas, dos bares dançantes, das boîtes. Sobretudo os jovens, que lidam mais com estes avanços tecnológicos, são prejudicados por este massivo bombardeamento sonoro. Devido a estarem constantemente sob influência de tão altos níveis sonoros a sua sensibilidade auditiva é afectada, subsequentemente a sua sensibilidade comunicacional também se vê afectada, isto leva à perda da noção de tonalidade "socialmente correcta" da voz por parte dos jovens que cada vez mais têm tendência para falar mais alto. Passa a existir assim uma quebra com os "bons costumes", o comportamento social é violado, é despojado de um dos seus mais belos suportes estéticos , o falar bem, que não engloba só o conhecimento gramático, mas também o saber privar, o falar para alguém, não o falar para todos, a "histeria" que é sem dúvida reconhecida às gerações de agora.
Continua...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Carnaval...

Certo e sabido que é o ex libris desta bela cidade do farwest nacional, Torres Vedras encontra no Carnaval um sublinhar da vontade de um povo em se deixar levar pela loucura que acumulam durante 360 dias e extravasá-la numa explosão de côr, alegria e bebedeira claro, nestes 5 dias loucos que compõem o mais português de todos os Carnavais.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Inter manus...

Soberbo.

domingo, janeiro 28, 2007

Versus...

Hesito, desde Novembro que hesito escrever, hesito agir, hesito viver. Porém, sempre que chegou a vez de agir pela "Maravilhosa arca de alquimia(...) " nunca hesitei, nunca parei para pensar no que fazia ou porque o fazia porque era óbvio o porquê de o fazer. Era óbvio no entanto dúbio, era certo mas incerto. Afinal o que rege o Universo? O que é que nos faz andar tanto à deriva perdidos num "je ne sais quois" constante? Stephen Hawking chama-lhe princípio da incerteza, Sócrates chamou-lhe nada saber, Descartes fintou-nos com o pensamento, mas o pensamento de nada vale quando este fogo que arde sem se ver se torna na nossa força motriz e é verdadeiramente a força motriz de qualquer ser humano que se preze.
Ter a certeza de algo do qual não se tem a certeza é a mais maravilhosa maldição alguma vez lançada ao ser humano.
Auto-destrutiva?? Porquê?? Será ssim tão errado apostar na improbabilidade?? Quantos jogam no Euromilhões todas as semanas?? Eu prefiro apostar noutra lotaria, uma lotaria na qual tenho a certeza da incerteza e se não ganhar essa lotaria pelo menos ganho na riqueza de espírito.
Apostar numa certeza certa é ser fraco, é não ter tomates para viver a vida, é não pegar o toiro de caras, é não ser aplaudido pelos seus pares, é nunca conhecer a glória de uma, por fim consentida, conquista de uma certeza incerta.
Lutar é metade do prazer. Masoquismo? Não. Teimosia? Talvez. Ser Homem? Pois concerteza.