quinta-feira, novembro 09, 2006

Albo lapillo notare diem...

Quotidiano frenético o nosso, no qual nos concentramos tanto no labor ( no necessário, no entanto efémero) que não nos damos conta das outras efemeridades da vida para as quais bastam dispensar apenas alguns segundos diários, efemeridades que remetem para sensações arrebatadoras: uma música ouvida numa rádio, numa publicidade, num filme ou num toque de telemóvel, que remetem para os bons momentos das nossas vidas, momento esses que nunca esqueceremos; um sorriso de uma estranha na rua; um olhar cúmplice numa situação banal; uma private joke da qual te lembras quando o amigo ou amiga com a qual a partilhas não está presente; um céu de fim de tarde que apetece levar conosco... Tantas e diferentes situações banais mas que nos evocam tantas e diferentes emoções. Que piada teria a vida sem estes pequenos relampejos de humanidade??

quinta-feira, outubro 26, 2006

Ànthrõpos II...

Expressar o k sinto neste momento é difícil, tive uma revelação... lol É realmente uma frase dramática demais para um raciocínio tão debatido por Freud. Não vos vou revelar qual é e vou guardar esta "private joke" ou não, só para mim, mas vou deixar uma nuance do que se trata. Para não variar, mulheres, ou melhor (desculpem esta contradição, mas neste caso vale a pena), uma mulher... Sabem o que é ter qualquer coisa de bonito à vossa frente e digo bonito em todos os sentidos, qualquer coisa que podia mudar a nossa vida, e não se dar conta disso?? Sabem o k é passado tanto tempo descobrir isso e ver que provavelmente nunca irá acontecer?? Sabem o k é isso estar a acontecer pela segunda vez nas vossas vidas?? Sabem?? Acho que "É fodido!!" resume bem o que se sente. É realmente fodido, é frustrante, é humano, é a vida real... "Eu quero um filme!! Um filme!! O meu reino por um filme!!" Volto a mergulhar na caixa de Pandora... E enquanto aguardo a próxima embarcação vou ansiar por uma surpresa desta caixinha...
Maravilhosa arca de Alquimia, louco, erosivo, neológico atarantar!!

quinta-feira, outubro 12, 2006

Ànthrõpos...

Como a vida é tão cheia de surpresas... As voltas que dá... etc... Clichés que não se desactualizarão nunca. Porque nunca sabemos o que uma morte pode desencadear, o que um nascimento pode desencadear, um curso, uma profissão, um dia, uma vitória, uma derrota, uma paixão... A nossa vida sofre uma revolução da qual não há retorno... O homem é conhecimento... Cogito ergo sum... E é isso que nos transforma em pessoas diferentes, experiências de vida diferentes. As mais experientes tornam-se mais aptas a partilhar a sua experência com alguém também mais experiente, tornando os seus filhos, a priori, mais experientes. Que bonita selecção natural a do ser humano, nas aves são as plumagens ou demais adornos, nos outros mamíferos a força ou agilidade, nos reptéis a força, nos peixes a sorte e a agilidade. Somos tão difíceis de nos darmos aos outros, isto é, a alguém especial, é tão difícil arranjar esse alguém especial, essa experiência que queremos partilhar. No entanto cá continuamos a prosperar, senhores do mundo, frutos de um encontro de milhões de experiências diferentes. Filhos do pó das estrelas, frutos de uma perfeição do universo, tão decifráveis quimicamente e no entanto tão complexos metafisicamente, enfim frutos de experiências... Frutos do tempo, da paciência do cosmos, no entanto tão irrequietos e inconstantes... Cheios de surpesas...

quarta-feira, setembro 27, 2006

Contador de visitas...

Devido a uma necessidade humana de vanglória e egocentrismo decidi colocar um contador de visitas ao meu blog. A partir de hoje cada visita vai-me tornar mais vaidoso, por isso toca a visitar este excelso blog!!!

domingo, setembro 24, 2006

Nauscopia...

Errante, regresso ao quotidiano semi-agitado de jovem universitário, com mais um ano de vida, com mais preocupações e responsabilidades, confortado com o facto de ter suplantado mais uma fase complicada da vida, mas desamparado e sem trilho definido... O verão trouxe a rambóia, o pandam, o fartote, com isso restabeleci-me e preparei-me para enfrentar o que vier mas não me trouxe o conhecimento do que está para vir. O que me espera?? Não detestam por vezes não saber o que o futuro reserva?? E enquanto esperam pela próxima peripécia da vida a ansiedade aumenta e parece consumir a vontade de agir, embarcamos em futilidades esperando retirar delas algo de significativo mas depois damos por nós a reflectir bem no que fazemos e a questionar a correcção desses mesmos actos. Estarei a viver um dilema existencial?? É possível... Mas não será legítimo questionar o nosso grau de importância no mundo, o nosso grau de decência, de mérito, de demérito, de direito à felicidade...? Se calhar sou severo demais comigo mesmo quando reflicto sobre as minhas acções, se calhar sou severo demais com os outros quando julgo as suas acções, se calhar sou demasiado exigente, se calhar não... Não será correcto procurar-mos a perfeição?? Qualquer velhote responder-me-ia: "Oh puto, a vida é assim mesmo!! Vais ver que mais tarde ou mais cedo acontece o que tu tanto esperas!" Isso pra mim seria reconfortante mas não reconfortante o suficiente para me retirar desta reflexão por ora incessante. Sinto-me um Robinson Crusoé, náufrago de um navio agitado cheio de coisas diferentes para ver, sentir, ouvir, recordar, numa ilha deserta aguardando a primeira embarcação que me traga de volta à agitação... Sinto-me errante...

quarta-feira, julho 05, 2006

Mais um dia...

Mais um dia nesta vida
Neste mundo de chavões
Estou num beco sem saída
Num bazar de emoções

E tudo parece igual
Mas que cena tão banal

E a cada despedida
A dor volta a queimar
Abre mais uma ferida
Que parece não curar

E tudo parece igual
Mas que cena mais banal

Estou aqui
E sem ti
Só agora percebi
Que ao voltar
Recomeçar
Ainda pode piorar

A situação
A confusão
Este nosso turbilhão
Que no findar
Ao recordar
Me fará continuar

quarta-feira, junho 21, 2006

Onda média...

Estou numa boa
Numa onda amena
Penso em Lisboa
Vêm-me logo aquela cena

Bairro na mente
Na ideia de ir curtir
Noite diferente
Vamos lá sair

Deixar este sossego
Procurar agitação
Ganhar desapego
Ganhar emoção

Partimos às dez
Como combinado
Com fogo nos pés
Estamos no Chiado

Venha de lá a jola
Estou a ressacar
Oiço uma viola
Ali naquele bar

Ouve é skazada
Que onda mais bacana
A jola está gelada
A malta está bezana

Roda aí o Bob
Exclama um de nós
A música sobe
Ao som da nossa voz

Duas chavalas
Juntam-se à festa
Com qual falas??
Eu falo com esta

Olha-me com fome
Com olhos de gata
Beija e consome
Quase desidrata

Na hora de sair
Peço-lhe o contacto
Vejo-a sorrir
E retribuo o acto

Volto à onda inicial
Numa de malhar
Esta cena bestial
Está quase a acabar

Regresso para cá
A malta a comentar
A gaja blá blá blá
Vais-lhe telefonar?

Nego-me a responder
Acendo um cigarro
Finjo não saber
Até sair do carro

Chegado a casa
Recebo uma mensagem
Daquela mesma brasa
Mas que viagem

terça-feira, junho 13, 2006

Vis attractiva...

Na mente uma menina
No corpo uma impressão
Bate forte o coração
Desta forma de vida
Só e desarmada
Ainda vacila
Pensar senti-la
É uma facada
...

Fraco, dormente
Sente-se frágil
Não consegue ser ágil
Pois desespera
Longa caminhada
Aguarda este ser
Que soube prever
Mui forte estalada
...

Mesmo sabendo
Da dita crise
Comete um deslize
E deambula
Resta é saber
Como acabará
Se a estrada o levará
Ou o vai surpreender

terça-feira, maio 09, 2006

Gaspacho chinês...

Há quem viva para criticar
Venha por bem ou por mal
Não posso é achar normal
Que não se saiba identificar

Há quem diga disparates
Há quem saiba escrever
Há quem se prefira esconder
Há quem tenha tomates

É bonito ter respeito
Não se perde nada
Devia ser-lhe elementar

Falar com despeito
Dizer uma cagada
É simplesmente rudimentar

...

Há quem tenha uma vida
E esta lhe dê inspiração
Há para quem a solidão
Seja a melhor saída

Há quem pegue numa caneta
E escreva uma linha
Há quem brinque com a pilinha
E adore bater punheta

Há quem saiba o que é uma mulher
E exprima sentimentos
Como um cavalheiro

Há quem "as" prefira bater
Guardar ressentimentos
Ser paneleiro

quarta-feira, maio 03, 2006

Tu...

Ah minha sinestesia
Ah meu sistema nervoso
Meu saudoso ar de gozo
Minha saudosa alegria

Muito tempo te aguardei
Muitas horas te apartaste
Mas agora que chegaste
Minha tristeza afastei

Não me desgostes de novo
Não me manches o Fado
Não me desfaças

Sinto sempre que chovo
Sinto-me espalhado
Quando passas

quarta-feira, abril 26, 2006

Anseios púberes...

Dizem que a vontade humana
Tudo pode se for a valer
Porém dou por mim semana após semana
A perder todo o meu poder

Não cesso de almejar
Não desisto desse objectivo
Não escondo este amar
Não cessa esta dor que confirma que vivo

Sou mais um comum mortal
Com a mesma triste condição
De sofrer deste terrível mal
Que me destroça e corrói o coração

Só espero que este sofrer não seja vão
Só quero que as forças não me faltem
Para conseguir esse amor então
E as minhas veias se exaltem

Aí a vida fluirá sem cessar
Por todos os poros deste fóssil
Deste ser morto, mas a respirar
E este híbrido sofregante tornar-se-á dócil

O mundo deixará de ser uma mera muleta
E nele voltarei a encontrar beleza
A minha vida deixará de ser uma russa roleta
E a alegria tomará o lugar da tristeza

segunda-feira, abril 17, 2006

O Fado nem sempre é justo...

Sendo eu um confesso não admirador de telenovelas portuguesas não seria de esperar que eu viesse prestar esta homenagem ao jovem Francisco Adam, da minha idade, da minha geração... Um jovem cuja vida foi ceifada antes do tempo, um jovem com um futuro risonho à sua frente... Quando soube fiquei chocado, ainda me custa acreditar, vê-lo agora na televisão magoa e põe-me a reflectir na vida, a pensar em aproveitar todos os dias ao máximo, incerto de que Fado tenho reservado pra mim também... Poucas vezes via a telenovela, mas das poucas vezes que o fiz, era com este jovem, que tive o prazer de conhecer pessoalmente, com quem me ria mais... Proporcionou-me momentos de risada, o seu personagem, que reflectia um pouco de si também, era hilariante e será sempre essa a recordação que guardarei deste meu conterrâneo, um jovem torreense...
A última recordação que tenho tua é de jogarmos à bola, lembras-te Chico?? Quando chegar a minha hora fazemos uma partida.
Um abraço, um até sempre...

sexta-feira, março 31, 2006

A borboleta(salvo seja) eclodiu...

Sinto-me forte novamente... Andei uns tempos "em baixo de forma", como se diz na gíria, mas o velho Tiago está de volta, cheio de vontade de sair cá pra fora e voltar a mostrar ao mundo aquilo de que é capaz. O meu comodismo e o meu derrotismo que eu havia expulsado de mim há dois anos voltou a apoderar-se de mim, mas já lhe mandei aquele valente chuto no cú. Venha a loucura de não saber pra onde me virar com tanto pra fazer, a dinâmica de estar sempre activo e não ser apenas um mero espectador deste mundo inerte. Eu que no mais profundo recanto do meu ser repugno tal estado de inércia, de estagnação pessoal, deixei-me absorver por ela, deixei que o mundo levasse a melhor, mas agora quero viver novamente, respirar, irradiar vida, felicidade, não obstante a tristeza que ainda me rodeia, a miséria do país, a má temporada caseira do Benfica (apesar do brilhante percurso europeu... SOMOS ENORMES!!), o anda-não anda das minhas incursões sentimentais e o estado de indecisão constante. Pois é, I'm back and stronger than before!! Por isso como diz o major "Quantos são, quantos são??", eu tou cá pra aguentar a bronca. Uma nova fase que custou, que doeu muito mas felizmente está a sumir, o eterno devir trouxe mais uma das suas pequenas mas grandes revoluções. Não vou fazer tábua rasa do que vivi, aprendi imenso, vou sim assimilar a experiência e esperar que com ela evite a repetição do que comigo sucedeu. Preparado para mais uma jornada, neste campeonato infindável que é o meu percurso no mundo, enfrentarei todas as adversidades, ultrapasarei as barreiras que não param de me atormentar, caminharei de cabeça erguida como sempre fiz, sem medo do que há pra vir e convicto no poder da vontade humana, da minha vontade. Onde buscarei as forças?? Santa Cruz, onde mais?? Páscoa é época de comunhão, com os amigos e familiares, mas sobretudo com nós mesmos. Embora não seja cristão, na verdadeira acepção da palavra, encontro na cultura cristã elementos filosóficos que, indirectamente influenciando o meu dia-a-dia, acabam por se tornar apoios a uma constante reflexão introspectiva. A Páscoa será, tal como sucedia na ilha do mesmo nome, uma luta de duas tribos pelo poder e estou por demais confiante que a mais dinâmica vencerá.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Amor...

Ultimamente dou comigo a pensar neste tema tão batido, tão abordado, tão indefinível, tão intangível que nem Camões o conseguiu sintetizar no seu tão famoso poema "Amor é fogo que arde sem se ver...". Dou por mim embebido pela beleza desta sensação tão estranha, tão magnética que nos impele para outro alguém. Alguns chamam-lhe química, outros compatibilidade psicológica, mas ninguém consegue sintetizar este sentimento tão forte que nos arrebata e nos deixa tão pouco senhores de nós mesmos que parecemos perdidos na nossa própria insanidade, tudo o resto deixa de importar e parece que aquela outra pessoa, o objecto do nosso amar se torna o centro do universo. É tão bonito quando é correspondido, o êxtase que toma conta de nós, é algo de tão poderoso que nos veda qualquer outra forma de vida, é a certeza da incerteza, é a razão da irracionalidade, é omnipresente, sobrepõe-se a tudo o resto, e consumar esse amor torna-se em algo tão sagrado que acaba por se tornar viciante e perigoso, chega a toldar responsabilidades, afazeres, tudo o mais deixa de importar e o outro ser, antropocêntrico, é a única razão de existir. Animal, instintivo, intrínseco ou não, é maravilhoso. Mas e se conosco tal sentimento não for correspondido, ou pior se não se souber o que vai na alma desse outro ser desse universo antropocêntrico??? Será que nos leva à demência, ao desespero, ao enclausuramento, à auto-destruição??? O ser humano é forte, é isso que nos tornou nº 1 na cadeia alimentar, mas será que o espírito, a nossa maior arma na Natureza, não será também a nossa maior fraqueza??? Eu estou fraco neste momento. Não sei se aguento mais angústia, estou rendido à minha própria fraqueza, aqui ando à deriva na minha mente, o meu espírito vagueia perdido no éter. O que ainda me liga à realidade??? A esperança. Que sentimento bonito deixou Pandora guardado para todos nós.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Metamorfoses

Como todo ser humano sei k passamos fases de evolução, fases de maturação, de paixões, de enclausuramento, de euforia, de depressão...
Estava à espera disso na adolescência, estava à espera disso lá prós 30, lá prós 40... Mas nunca me passou pela cabeça acontecer-me durante os anos dourados dos 20 passar por tanta metamorfose, sobretudo num processo tão doloroso de reinvenção pessoal, muito por culpa da vida a que sou obrigado a levar, por causa do belo horário k me arranjaram este ano. Mas sei k não posso depositar todas as culpas das mudanças k estou a sofrer a nível intelectual nesse único factor, isso seria pura negação, até pk, racionalista como sou, isso me faria soar ridículo. Cada vez mais me surpreendo com a complexidade de nós seres humanos e à medida k vou crescendo como pessoa mais me apaixono pela maravilha k é o potencial k reside em todos nós, só tenho pena k nem toda a gente consiga ver isso em si mesmos, limitando-se simplesmente a existir, sem sequer tomar consciência de que isso pode fazer maravilhas. Mas muito me regozijo em saber k antes de mim houve pelo menos uma pessoa a sentir o mesmo. Pensadores k todos desprezam, k eu próprio desprezei na minha adolescência, hoje parecem-me deuses da razão, não porque concorde com tudo o k apregoaram mas só pk simplesmente se preocuparam. Saber k pelo menos há 3 mil anos já havia quem se preocupasse com o desabrochar de pensamentos nas diferentes fases da vida e k no saber reside a chave para a nossa sobrevivência reconforta-me e reforça as minhas descobertas pessoais ao longo da minha vida. O k me preocupa é olhar em redor e não ver, 3 mil anos volvidos, com o facílimo acesso k há à informação e ao saber, pessoas interessadas em desenvolvê-lo. O grande factor k está a tornar dolorosa esta metamorfose é isso mesmo, olhar em redor e ficar triste com a ignorância k me rodeia. Durante anos olhei para os adultos como senhores da razão, todo-poderosos, hoje em dia olho à volta e pergunto-me como é k a civilização sobreviveu, sobretudo a portuguesa. Espero k a tão falada "geração rasca", vulgo a minha, seja tão consciente disto como eu, para k todos em conjunto possamos ajudar salvar a humanidade do degredo em que esta se enfiou com a ajuda do "rectângulo k mudou o mundo". A metamorfose k sofro agora embora metafórica é aquela da qual o mundo mais necessita, em vez de olhar tanto para os outros, e pensar tanto no que eles fazem ou deixam de fazer, pra depois ir imitar (parecemos crianças qdo aprendem a falar), é centrar-nos em nós como seres humanos (não o puro egoísmo a k assisto todos os dias) e analisar-nos, descobrir o potencial e desenvolvê-lo, não simplesmente deixá-lo de parte e viver como zombies, como mera parte do Sistema (que está cá para ajudar toda a gente e não só alguns como acontece muitas vezes). As metamorfoses são tão dolorosas pk nos fazem abrir os olhos para muita coisa. Por favor abram os olhos, eu sei k custa, foi o k eu disse durante todo o texto mas façam-no senão não há salvação possível.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

2004 Odisseia Torreense...

Há dias em que a inércia
Se recusa a desaparecer
Acho que nem na Antiga Pérsia
O tédio era assim, de morrer

Nos dias mais bonitos
Em que apetece fugir
Os nossos quereres são restritos
São-no tanto que parecemos explodir

A cabeça já não alberga tanta vontade
O coração não aguenta tanto desejo
Não sei se será da idade
Mas é isto que vejo

Só quero viajar para outro mundo
Desaparecer deste dia-a-dia aborrecido
Se não fosse aquele desejo profundo
Decerto já teria morrido

Mas aquele desejo profundo perdura
A razão do meu querer ainda vive
Calem a voz da censura
Senão ele não sobrevive

Só me resta esperar pelo final do dia
Pela hora em que a vou rever
Que ela aja como eu queria
E eu finalmente parasse de sofrer

Tenho sede de vida
Quero sentir realização
Estou farto desta existência fodida
Que me corrói e despedaça o coração

sábado, dezembro 17, 2005

Camoniando...

À espera está Leonor
À espera se habitua
Sentada à luz da Lua

Tem na boca um cigarro
Que lhe apazigua a alma
Que a enche de calma
Que a faz pensar na vida
Leonor sente-se nua
Com o corpo ondulante
Esperando o seu amante
Sentada à luz da Lua

Despe o seu casaco
Deixando-se levar p'la noite quente
Sentindo-se dormente
Pela falta de alguém
E enquanto ela amua
Onde está esse alguém agora
Deixando Leonor a esta hora
Sentada à luz da Lua

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Esquiços de uma paixão inacabada...

Olho para o cigarro a arder no chão
Acabei mesmo agora de o atirar
Sinto acelerar o bater do coração
Sinto-o a morrer, como se está a esfumar!!!

Só me consigo recordar de Joana
A sua presença é constante
Não é uma mera recordação mundana
É uma recordação alarmante

Desejo estar com ela
Ambiciono apenas a felicidade
Quero poder vê-la
Almejo essa impossibilidade

A distância parece infinita
Pois é o mar que nos separa
Esse mar que se agita
Esse mar de Manara

Não é só a paixão que me atinge
É também um desejo estridente
Esse desejo que vicia
Esse desejo sempre presente

Não sei se tão cedo a verei
Não sei se será possível
Mas creio que para sempre acreditarei
Que essa felicidade é atingível

Creio que no fim eu vencerei
Quebrarei a barreira
E "a tal" que eu encontrei
Será a minha companheira

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Espasmos sentimentais...

Há uma altura na vida em que pensamos nela
Pensamos nela a fundo
Analisamos todos os momentos desta querela
Toda a hora, todo o segundo

Queremos apenas ser amados
Mas como o poderemos ser?
Como, se estivermos sempre amuados?
Onde arranjamos força para viver?

O medo tudo comanda
O medo tudo desafia
O medo põe-nos em debanda
Mas também nos recria

Nem tudo é negativo
Neste nosso labirinto
E também pouco de positivo
Se ganha em continuar faminto

Pois ansiamos por esse momento
Em que nos braços tomamos o nosso amor
Em que nos enchemos de contentamento
Sem reservas nem pudor

No entanto receamos que não seja verdadeiro
Que esse amor seja apenas receio
Apetece-nos gritar com o mundo inteiro
Com a mente vazia e o coração cheio

Mas devemos cegar o nosso coração?
Ou devemos entregar-nos à revelia?
Devemos renunciar à razão,
E apenas viver essa alegria?

O Desejo supera a Vontade
A Razão morre pelas mãos da Paixão
O Fado vence a Inteligibilidade
O Amor prevalece face à Visão

Embora a dúvida subsista
Embora a angústia continue presente
A certeza sobrepõe-se autista
E a alegria invade-nos omnipresente

sábado, dezembro 10, 2005

Sei lá, deu-me na telha...

Estou a sentir-me nostálgico, sinto k Santa Cruz chama por mim. A imensidão do mar, aquele azul magnético que lembra o meu primeiro amor, o extenso areal onde muitas vezes me perdi, ora por paixão, ora por mera bebedeira e ora por simples reflexões k duram horas e me parecem fazer crescer, amadurecer, tornar-me gota a gota o homem em k me transformo todos os dias. O som das ondas, esse ruído perfeito k me prende a audição e me transporta ao éter enquanto olho o céu ora azul durante os quentes dias de Verão ora estrelado das noites loucas tb de Verão ou dos calmos fins-de-semana k lá passo. Consigo sentir aquela brisa marítima k me afaga e conforta, consigo recordar aquele pôr-do-sol inigualável. Santa Cruz, sempre este nome ecoando na minha cabeça, sempre a minha referência quando perco o meu rumo. O meu porto seguro, o meu porto de abrigo, o meu "lugar encantado"(obrigado Susana). O meu farol, o penedo do Guincho, imponente, eterno, testemunha de mil momentos, muitos meus, muitos de todos k por lá passaram, quem lá vai nunca esquece, quem nunca lá foi só pode sonhar (e que belo sonho é), quem lá esteve e pereceu no fim decerto recordou esse Olimpo à beira mar plantado. A minha Ítaca, o meu Brei Zion, o meu destino final.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Ba...

Como é k eu hei-de começar isto?? Querem ter um fim-de-semana louco pra xuxu?? Hmm?? Memorável?? Se forem dos arredores de Lisboa eu tenho a solução para vocês!!! Vão de autocarro pra lisboa, não se preocupem a malta lá tem carro. Pk autocarro?? No autocarro acontece de tudo. Sim tudo. Este sábado um indivíduo foi ao greg no autocarro. Estava eu muito bem, a preparar-me pra dormir uma sesta durante a viagem e eis se não quando há uma personagem três bancos à minha frente k do nada decide largar um jacto de vómito, cagando todo o vidro ao seu lado e o banco da frente, tendo terminado a sua tão genial intervenção no chão do autocarro. Pensei para comigo: "Começou a rambóia, o pandan." Depois, chegado a lisboa fui ter um calmo jantar em casa de uma amiga minha, com ppl muito bacano, enquanto via o Glorioso dar-me mais uma alegria, desta feita pelos pés do palanca Mantorras, eu adoro este homem. Tava tudo sobre rodas. Depois a malta foi ao aniversário dessa velha glória de Cascais, não, não é o Rui Àguas, é o Nuts, esse belo estabelecimento nocturno k me proporcionou uma das piores noites musicais de sempre, só com mangueiras, para os iliterados só gajos, com pessoal dos Morangos Com Açúcar. Um verdadeiro degredo. Fomos depois para um antro de lagartos. Sim era um sítio com cobertores, cobertores esses pejados de àcaros, esses serezinhos pequeninos, diria mais, microscópicos, k são todos lagartos, pelo menos aqueles eram pois eram verdes. Sim verdes. Esta praga estava a merecer desratização, logo usei um telemóvel de 5ª geração, com isqueiro incluído, tenho k comprar um daqueles, e liguei para o controle anti-pragas da segurança civil. Prontamente acudiram-nos e resolveram o problema mas já era chegada a hora de partir. Lisboa aguardava impávida e serena, o sol já conspurcava as suas sete colinas, o Tejo fluía para o mar perpetuando a eternidade, no céu o éter, o almejar da pureza aguardava, o sono k tinha percorría-me deixando-me perplexo, nunca antes havia sentido tal experiência, à minha frente ela, zangada comigo, era tudo hilariante, estava nervoso. Mas por fim chegámos, acabou a viagem e fui-me deitar.

P.S. : O PES 5 é pra meninos, nunca vi um jogo onde houvessem tantas faltas estúpidas.

Pk "Ba" no título??? ;)

sábado, dezembro 03, 2005

Memórias de um puto...

Enquanto o tempo passa
Há um mundo lá fora
Há algo que retraça
E aumenta a demora

Não aguentas esta espera
Este tempo perdido
A tua vida é uma esfera
Que rola enquanto és fodido

Não sabes o que a vida te guarda
Não sabes o que pode acontecer
Só sabes que esta farda
Vai acabar por te foder

Se achas que sabes tudo
Se pensas que consegues o impossível
Fica sabendo que não é com estudo
Que atinges o inatingível

É o conviver que te ensina
A sociedade que te educa
Um dia conheces uma menina
No outro és uma folha caduca

A vida não é uma Primavera
A vida não é um belo sono
A vida não é mais que uma quimera
A vida não passa de um Outono

Por isso te digo
Aguenta a pressão
Nesta vida só arranjas um amigo
E não é esse cabrão

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Porquê Brei Zion??

Não sabia como começar este blog, estava nervoso. Sim nervoso. Nervoso como uma virgem na sua primeira vez, com os mamilos rijos, nervosa, ansiosa, contraída... Já me estou a excitar, é melhor parar com isto. Porquê Brei Zion?? Primeiro porque houve um badameco que se lembrou de chamar Ítaca ao seu blog, e esse pulha lembrou-se de vir para aqui escrever antes de mim, segundo porque não sei bem porquê gosto de reggae, gosto, terceiro porque é o título de uma música brutal e quarto porque me apeteceu olha. Achei que ía acalmar a minha fúria de não poder dar ao meu blog o nome que merecia, Ítaca teria lógica, seria a minha casa, o meu destino final na odisseia das minhas divagações, mas Zion é um bom destino também, é um destino mais espiritual ainda, mais profundo, mais legalize, mais nirvana, mais buda, mais jah. E fiquem tranquilos de que quando tiver algo de inteligente a acrescentar não escrevo aqui, guardá-lo-ei para mim. Aqui apenas serão presenteados com a genialidade da parvoíce, do delírio, das divagações de uma mente doente, psicótica, neurótica que vos irá transportar a raciocínios a priori ridículos mas que bem analisados vos trarão perpectivas diferentes de encarar a realidade ou de achá-la banal, efémera e monomaníaca tal e qual ela é, ou então não...